É com a experiência adquirida em dois mandatos como vereador (2008 a 2016) e quase quatro anos à frente da Secretaria Municipal de Educação (2005 a 2008) que Carlucho pretende fortalecer a cultura de Lauro de Freitas. À frente da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo desde o início de janeiro deste ano, ele destaca entre suas principais ações o cumprimento integral do calendário cultural da cidade, o fortalecimento do Conselho de Cultura e a valorização e capacitação dos artistas da terra. Para saber mais, acompanhe a entrevista que ele deu à redação do jornal O Agora:
O Agora – Secretário como foi o início da sua atuação à frente da Secretaria Muncipal de Cultura e Turísmo (Secult)?
Carlucho – Durante a transição tivemos uma série de dificuldades, mas conseguimos fazer com que o ano fosse bastante produtivo. Cumprimos integralmente o calendário cultural da cidade, que contém 22 eventos, e fizemos inúmeros eventos não calendarizados, que são demandas espontâneas da sociedade na área de cultura. Já no dia 4 de janeiro, assim que iniciamos o trabalho à frente da secretaria, tivemos o Terno de Reis, nos dias 4 e 5/01, em Portão e no Centro da cidade. Apesar do pouco tempo para organização, as manifestações foram aplaudidas pela sociedade, e ali demos o nosso pontapé inicial. Depois, já nos dias 14 e 15/01 fizemos a festa do Padroeiro da cidade, Santo Amaro de Ipitanga, e a partir daí cumprimos todo o calendário, a exemplo do Carnaval, São João e Emancipação Política da cidade.
A.O – Além do cumprimento das atividades previstas no calendário cultural da cidade, outras ações foram desenvolvidas?
Carlucho – Como projetos especiais, construímos a Companhia Municipal de Teatro. Projeto bastante interessante, que tem à frente o professor Tobé Veloso, e atende a 60 alunos da rede pública municipal. A partir daí, temos feito uma série de atividades com essas crianças, afim de explorar as possibilidades dos seus talentos. Também construímos a Jornada Cultural, com o objetivo de conhecer e incentivar a produção artística da cidade. Foram três dias com atividades culturais e formativas, com palestras e oficinas que instruíram os nossos artistas. Tivemos a participação da Procuradoria do Município, dos bancos oficiais, do Sebrae, todos juntos no sentido capacitar os nossos agentes culturais para se organizarem enquanto pessoa jurídica e terem a possibilidade de pleitear recursos públicos, além de participar dos editais de cultura que teremos no próximo ano.
Também fizemos um trabalho muito interessante no Conselho de Cultura. Quando chegamos, o nosso conselho tinha pouca participação. Os conselheiros tinham todo um empenho, mas muitas vezes as coisas não aconteciam e isso causava um desestímulo. Diante disso, uma das nossas primeiras ações foi reunir o conselho e fortalecê-lo. Logo depois, em julho, fizemos novas eleições de conselheiros, por que havia vencido o prazo de mandato, que é de dois anos. Como parâmetro desse fortalecimento, podemos dizer que a eleição de 2015 teve a participação de aproximadamente 400 pessoas, entre candidatos e eleitores. A que fizemos este ano teve a participação de quase 2 mil pessoas. Isso é extremamente positivo, porque os artistas se mobilizaram para participar desse grande momento. Isso faz com que a cultura seja fortalecida.
O.A – Além de dois mandatos como vereador, você tem a experiência do cargo de Secretário de Educação, entre 2005 e 2008, na primeira gestão da prefeita Moema Gramacho. A Secult é um novo desafio?
Carlucho – Na gestão da prefeita Moema Gramacho, ela tem cumprido fielmente a participação do Fundo de Cultura. O repasse tem sido feito de forma bastante correta e a gente está bastante satisfeito com o que tem se possibilitado. É uma secretaria de tamanho pequeno, mas que trabalha muito. Por diversas vezes saímos da secretaria às 21h, trabalhando. Normalmente o expediente é até as 14h para atendimento, mas por diversas vezes a gente dobra esse horário para atender as demandas que nos chegam. Acredito que a sociedade tem dado uma resposta positiva em relação ao nosso esforço. Claro que nós vivemos em uma democracia e há críticas, mas essas críticas são bem aceitas e analisadas para que a gente possa melhorar a nossa atuação. Estamos nos colocando como facilitadores de processos. Estamos ali para atender a demanda da sociedade e nesta condição temos buscado, por orientação da Prefeita, apoiar todos os eventos culturais.
O.A – O que está sendo desenvolvido agora?
Carlucho – Agora estamos trabalhando a grande festa de Itinga, evento calendarizado, e a grande festa de portão, ambas com mais de 30 anos de execução. Temos a parada Gay do Centro que além da festa terá uma série de atividades formativas e de conscientização, para que seja também algo positivo socialmente.
O.A – Apesar de se falar quase predominantemente na área cultural a pasta que dirige também abrange o turismo, não é isso?
Carlucho – Sim. E já em janeiro teremos uma atividade bem legal. Dentro do Projeto Universidade de Verão teremos a Festa Turística de Lauro de Freitas (Festur), que pretendemos que seja um marco para a nossa cidade. Percebemos que por morarmos em uma cidade muito próxima de Salvador, muitas vezes temos prejuízos em algumas questões. Algumas festas populares acontecem aqui e na capital, que por ser uma cidade economicamente mais forte e com um perfil turístico mais consolidado que a nossa, não nos dá a possibilidade de atrair mais turistas. Mas temos trabalhando muito para reverter esse quadro. Temos uma rede hoteleira muito boa, temos a possibilidade de um turismo étnico muito forte, com mais de 3 mil capoeristas; temos um Quilombo em Quingoma, também uma aldeia indígena, além de vários grupos culturais, dentre eles o Bankoma, que é reconhecido internacionalmente. Sem esquecer das nossas belas praias que possuem um enorme potencial a ser explorado.
O.A – Falando em turismo étnico, como é a relação com as demais religiões?
Carlucho – Na cultura também entra a questão da religiosidade. Temos a religião cristã, com evangélicos e católicos, e muito forte também a religião de matriz africana. Todos eles com fortes elementos culturais. O que é verdadeiramente cultural sempre terá todo o nosso apoio.
O.A – 2018 está à porta. O que podemos esperar da Secult ano que vem?
Carlucho – Tenho certeza que o próximo ano será muito melhor. Temos uma equipe recém formada, mas que produziu muito bem e fez com que a gente desse uma cara à cultura da nossa cidade, e que tem evoluído a cada dia. A gente sabe que um povo que não tem a sua cultura sendo cuidada é um povo sem identidade. Nós temos como meta fazer com que essa identidade seja fortalecida e as atividades sejam fomentadas com o dinheiro público. O Fundo de Cultura é um valor muito pequeno, apenas 1% do que a cidade arrecada, mas ele tem atendido às necessidades. Se você verificar a gente tem trazido grandes artistas, mas todos eles com custos menores, o que nos possibilita contemplar um número maior de artistas da cidade.
O.A – Tem se comentado sobre a possibilidade de uma festa da virada. Realmente vai acontecer?
Carlucho – Estamos conversando com a Prefeita como será o nosso réveillon. A princípio posso dizer que teremos a festa, mas ainda estamos trabalhando o formato. Está sendo construído e em breve estaremos divulgando. Aproveito para deixar o meu agradecimento à Prefeita, que tem nos confiado a Secretaria de Cultura e Turísmo, e agradecer também aos demais secretários, porque sabemos que sem o apoio dos colegas a gente não faria o que fizemos. A gente percebe que nos grandes eventos realizados não houve grandes problemas e por isso também agradeço às Polícias Militar e Civil, Conselho Tutelar, Juizado de Menores, todos extremamente importantes.

