Alçado à presidente da Câmara, após o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Waldir Maranhão (PP-MA) aparece em gravações da Operação Miqueias assessorando a quadrilha do doleiro Fayed Traboulsi – em esquema que funcionava como sucursal do banco clandestino do operador do petrolão, o doleiro Alberto Youssef.
A Operação Miqueis, desvendada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal, tinha por objetivo vender títulos podres a fundos de pensão de servidores públicos. O esquema, que desviou mais de R$ 50 milhões, funcionava graças à sempre lucrativa joint-venture como os políticos. Eles abriam caminho para que os negócios saíssem e, em troca, recebiam propina. É aí que entra o sucessor de Eduardo Cunha na presidência da Câmara.
Em um dos casos, Maranhão aparece como intermediário de um "negócio" de R$ 6 milhões com a prefeitura de Santa Luzia, no interior maranhense, segundo reportagem da Revista Veja, em sua edição deste fim de semana. Com a ajuda do agora presidente da Câmara, a quadrilha vendeu títulos para o fundo de pensão dos servidores municipais. Em troca, o deputado recebeu 1% da operação: R$ 60 mil.
Um participante do esquema contou aos investigadores que uma parte da comissão, R$ 10 mil, foi depositada na conta da mulher de Maranhão. O pedido foi feito pelo próprio deputado, que "precisava do dinheiro para pagar uma viagem para o Rio de Janeiro" às vésperas do réveillon.
De acordo com a reportagem, Maranhão foi flagrado em conversas telefônicas com o doleiro quando o esquema estava no auge. Nos diálogos, sua excelência aparece como legítimo funcionário do doleiro. “Obediente, ele marca encontros de Fayed com prefeitos aliados, faz visitas a autoridades para resolver assuntos de interesse do esquema e atua como um diligente captador de novos negócios para a quadrilha”, diz a revista.


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