O PMDB chega às vésperas da reunião do Conselho do Diretório Nacional do Partido com imensas dificuldades para a presidente Dilma Rousseff e com número suficiente para se desgarrar do governo. Os governistas da legenda estão em minoria. Como na decisão desta terça-feira (29) o diretório poderá colocar o grupo minoritário contra a parede e exigir que ou eles permanecem no partido ou serão expurgado, ficará estabelecido um problema de grave complicação. O partido tem hoje sete ministros que acompanham Dilma. As alternativas possíveis serão ou eles ficarem onde estão e abandonam o PMDB e, numa outra, a concessão de tempo para que meditem, no máximo em torno de dez dias. O PT sabe perfeitamente que o impeachment está a caminho. Esta suposição está dentro do Palácio do Planalto nos cálculos segundo os quais dificilmente terão 172 votos para barrar a queda da presidente. Aliás, os ministros já concordam, nas suas conversas, que a presidente não chegará ao fim do mandato, mas têm ainda um coringa da manga da camisa: o PMDB, ao todo, tem aproximadamente mil cargos no governo e se eles os entregarem na decisão do impeachment na Câmara, poderão procurar os senadores da legenda, o que é muitíssimo difícil de aceitarem, ou ainda outros partidos minoritários. É assim que funciona este sistema político depravado. Mesmo com este jogo, as dificuldades se manterão presentes por ser provável que o mandato presidencial sucumbirá, alcançando também grande parte do PT. Deste modo, ou um novo governo, no caso de Michel Temer, anunciará novos tempos ou o País entrará em convulsão, o que se espera que não.
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segunda-feira, 28 de março de 2016
Opinião: O amanhã do 'dia D'
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