A unificação do discurso do PSDB a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) durou menos de 15 dias. De acordo com informações do blog Josias de Souza, as fissuras foram reabertas no ninho tucano.
Parte do PSDB mais próximo ao senador Aécio Neves, presidente nacional do partido, voltou a apostar na estratégia que prevê a anulação do mandato da mandatária brasileira via Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste caso, o mandato do vice-presidente Michel Temer (PMDB) também seria cassado. Como consequência, a Justiça eleitoral convocaria nova eleição presidencial, com Aécio, que lidera as pesquisas, como candidato.
O PSDB da Câmara avalia, porém, que é preciso esgotar as tentativas de obter o impedimento de Dilma pelo Congresso. Hipótese que levaria Temer a assumir a cadeira de presidente até 2018. Além da maioria dos 54 deputados federais tucanos, engancha-se nessa corrente o senador José Serra, pré-candidato a ministro de um eventual governo Temer.
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, diz que é preciso reconhecer que as regras estabelecidas pelo STF mudaram o jogo. O senador realça que o próprio PMDB dividiu-se: “Michel Temer perdeu força. Ganhou um protagonismo maior Renan Calheiros [presidente do Senado], que está alinhado com a Dilma”, disse. Além disso, conforme Cássio, "o povo não se mostrou muito entusiasmado para ir às ruas com o propósito de derrubar a Dilma e colocar o Michel no lugar dela.
Em privado, os deputados do PSDB irritam-se com a formulação de Cunha Lima. Alegam que, com ou sem impeachment, o partido precisa levar até o fim o processo deflagrado na Câmara. Sob pena de desmoralizar-se. “A posição da bancada da Câmara é clara: com impeachment ou sem impeachment, vamos mostrar para a sociedade que os deputados do PSDB fizeram o possível”, disse.
A mesma posição é defendida pelos aliados do PSDB. “Sem excluir a agenda do TSE, nossa prioridade zero continua sendo o processo de impeachment aberto na Câmara”, disse o líder do DEM, deputado Mendonça Filho. "Até porque nossa luta para afastar a presidente nunca foi travada por conveniência, mas pela crença de que ela cometeu crime de responsabilidade. Assim, enquanto não for esgotato o processo de impeachment, não cabe desviar as atenções”.
À distância, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, observa a conflagração brasiliense com uma ponta de satisfação. A julgar pelo que afirmam seus aliados, Alckmin torce para que Dilma permaneça no Planalto como uma presidente hemorrágica até 2018, quando ele estará livre para disputar a vaga de candidato do PSDB à Presidência da República.


Nenhum comentário:
Postar um comentário